Porquê programas de transformação falham. Qual o remédio?

Publicado por em 2 de julho de 2021

João Alipio da Silva Costa

Junho de 2021

Os líderes empresariais têm um suprimento diversificado e constantemente atualizado de ferramentas, metodologias e novas ondas de gestão de negócio. Todas prometendo serem a “última bolacha do pacote” em termos de sucesso empresarial.

 

Essa ampla oferta de soluções pode variar desde movimentos suportados por alguns “gurus” com livros, vídeos, podcasts e canais nas redes até programa estruturados e conduzidos por grandes universidades e consultorias multinacionais (algumas vezes, por tudo isso ao mesmo tempo).

 

Esse excesso de estratégias de melhoria pode levar alguns líderes organizacionais a pularem de programa em programa sem implantar plenamente nenhuma iniciativa e, por isso, não colherem os resultados esperados. Cada iniciativa causa um surto localizado de atividades e, eventualmente, gera resultados promissores em um projeto piloto. Com o passar do tempo, a inciativa perde momento, acaba sendo sobreposta pela rotina diária e, sem o devido processo de suporte e gestão, acaba desaparecendo silenciosamente.

 

Na minha experiência, um dos maiores problemas que observei para evoluir um programa de melhoria e inovação é a falta de constância de propósito. A mudança brusca de direção nos programas e iniciativas corporativas leva a organização a reduzir o seu engajamento e comprometimento com cada nova iniciativa.

 

Um exercício simples que eu faço e recomendo, quando estou iniciando um projeto que demanda transformação da organização, é fazer o seguinte exercício com um grupo significativo de líderes e formadores de opinião:

Eu solicito para que a equipe pense em três projetos da organização que tiveram sucesso em alcançar os seus objetivos e que foram sustentáveis ao longo do tempo. Com esses três projetos em mente, eu solicito às pessoas para identificarem os pontos comuns na implantação desses projetos que podem ser “causas de sucesso”. Em outras palavras, o que projetos de sucesso na organização tem em comum.

Então eu completo o exercício solicitando o espelho dessa dinâmica com as pessoas pensando em três casos de projetos que forma abandonados ou não tiveram sucesso em alcançar seus objetivos de forma sustentável. As pessoas buscam os pontos comuns desses projetos também.

Para fechar o exercício, o grupo faz uma análise comparativa e busca um conjunto de lições aprendidas, com a própria organização, sobre o que aumenta a chance de sucesso ou ameaça os resultados de um projeto de mudança na organização.

 

Segue abaixo alguns pontos que eu observo sistematicamente nessas dinâmicas sobre as causas comuns de abandono ou fracasso de programas de transformação:

– O programa ser lançado pela alta administração e depois delegado à um nível abaixo e não ser acompanhado e orientado pela direção do negócio;

– As mudanças se limitarem a atender o desejo de uma área ou departamento, sem contemplar os processos de negócio (que permeiam várias áreas, clientes e fornecedores);

– As lideranças não incorporam a transformação proposta na sua forma de atuar, decidir e se comunicar (faça o que eu falo, não faça o que eu faço);

– Limitar as transformações ao uso de ferramentas e metodologias, sem incorporar as mudanças de comportamento, atitudes e princípios que as embasam;

– Ter muitas iniciativas concorrendo pelos mesmos recursos e com conflito de prioridades.

 

Os pontos acima são muito frequentes na dinâmica que eu mencionei, mas existem muitos outros.

 

Como recomendação, baseado na minha experiência e na contribuição dos participantes dessas dinâmicas, estão os seguintes pontos:

– Demore para selecionar ou decidir sobre qual programa de transformação você adotará, mas uma vez que você decida iniciar, mantenha o foco e constância de propósito;

– Comece simples e seja focado nos (ou no) pontos principais da mudança. Pratique, aprenda e evolua. Só depois de sedimentar o básico, agregue mais componentes ou complexidade;

– Foque sua comunicação em explicar os “porquês”, motivadores e conceitos que são base da sua mudança. Isso fará a sua equipe desejar praticar a mudança de forma engajada.

 

Se você está adotando um programa de transformação (seja digital, Lean, Ágil, reestruturação organizacional, etc…) e não está satisfeito com a evolução da mudança, aplique a dinâmica acima. Você pode se surpreender com a quantidade de conhecimento e estratégias de sucesso que você tem a disposição dentro da sua própria organização.

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