Os Ciclos Crescimento e de Decadêncidas Organizações
24 de março de 2021
Peter Senge, em seu clássico da administração “A Quinta Disciplina”, descreve dois ciclos de vida que podem ocorrer nas empresas. Um ciclo ligado ao crescimento e sucesso e outro ciclo de declínio e fracasso.
O ciclo positivo começa com um pequeno grupo de fundadores muito competentes e inovadores que conseguem colocar um produto diferenciado e superior no mercado. O produto faz sucesso, gera resultado. O resultado vira recursos que são reinvestidos no negócio para crescer. Este ciclo se autoalimenta positivamente durante um tempo. O sucesso gera resultado, que gera investimento, que gera mais diferenciação, mais crescimento e mais resultado que gera mais, mais, mais…
O problema é que, depois de algum tempo, o negócio começa a ganhar tamanho e complexidade. Isso demanda cada vez mais atenção, gestão e controle dos fundadores. A entrada de sócios e outros colaboradores, com valores e perfis diferentes, também influenciam no andamento da empresa. O distanciamento dos fundadores e as mudanças na empresa e no mercado acabam minando a capacidade de fazer produtos diferenciados e superiores. Isso leva a perda de diferenciação e consequente queda na participação de mercado, receita e resultado.
Se os fundadores tentam se manter na operação eles acabam tirando a autonomia e agilidade dos gestores de linha na tomada de decisão. Ao mesmo tempo, a participação na operação tira o tempo da alta administração dos assuntos estratégicos e de gestão do negócio.
A combinação de perda da diferenciação com um papel mal definido da alta administração leva ao declínio de resultados e presença de mercado. O problema é que nesse ponto o tamanho e custo da empresa não conseguem ser mantidos com uma receita em declínio. O resultado é o colapso aparentemente inexplicável de uma empresa que parecia ser destinada ao sucesso. ⠀
O grande diferencial das empresas que sobrevivem ao ciclo de crescimento é a capacidade dos fundadores de multiplicarem a cultura e valores empresariais e formarem uma equipe que continue o seu bom trabalho. A continuidade não se dá pela repetição do passado. Para a sobrevivência ao longo do tempo é necessário preservar os valores que sedimentam o negócio e adotar o aprendizado contínuo e inovação para liderar ou se adaptar às mudanças.
O ciclo de declínio não está limitado apenas às novas empresas que crescem rápido. Empresas consolidadas e com sucesso há décadas também podem mergulhar no ciclo negativo. Isso ocorre quando o negócio não consegue se adaptar às mudanças de mercado, tecnologia, regulamentação ou sociais. Mudanças drásticas no cenário competitivo podem levar uma empresa estabelecida a retornar à condição de nova no mercado. Talvez o exemplo mais claro dessa condição trágica seja a Kodak.

Infelizmente é comum ver fundadores que querem continuar a se comportar numa grande empresa com se ela ainda fosse um pequeno negócio. Eles atuam de forma centralizadora e não dedicam a atenção devida às novas demandas do mercado e do negócio.
Para evitar o ciclo negativo descrito acima, uma das responsabilidades principais da alta administração deve ser a de formar líderes e sucessores e propagar os valores, princípios e competências que fazem a empresa única e diferenciada.
Um ponto adicional para você refletir. Estes dois ciclos positivos e negativos existem só na vida das empresas ou acontecem na vida profissional de uma pessoa também? Um profissional pode ter ascensão na carreira e entrar em declínio devido ao próprio sucesso?
João Alipio da Silva Costa
55 PRO Consulting
Joao.alipio@55pro.com.br
Categorizados em: Empreendedorismo, Excelência na gestão, Modelo de Negócio