A velocidade de inovação como fator crítico de sucesso

Publicado por em 13 de maio de 2021

João Alipio da Silva Costa
13/05/2021

Todas as organizações estão em evolução (acredite ou não). Algumas empresas são rápidas e lideram o processo de mudança e outras são lentas e reativas na transformação. Quando a diferença de velocidade de evolução é muito grande entre dois competidores, a empresa lenta pode desaparecer.

Eu sintetizei essa ideia de velocidade de evolução no gráfico abaixo.  A linha preta representa a velocidade com que uma empresa melhora seu desempenho. Vamos resumir desempenho como a capacidade da empresa em gerar valor para os clientes e resultados sustentáveis.  A linha reta representa uma empresa que se mantém num ritmo constante de evolução ao longo do tempo.

 

Agora vamos explorar dois casos:

1 Concorrente com desempenho similar

A linha azul representa um concorrente que apresenta um desempenho levemente inferior, mas tem uma evolução similar. O que ocorre nessa condição é que a relação de competição se mantém estável ao longo do tempo. Na realidade, o gráfico deveria mostrar uma alternância. As empresas trocam de posição na liderança na geração do valor. Vou com linhas paralelas no exemplo pelo bem da simplicidade. Nessa condição, nenhuma empresa consegue estabelecer uma vantagem competitiva suficiente para dominar o mercado e ameaçar seriamente a posição do seu concorrente.

Exemplo: Empresas como a Coca Cola e a Pepsi Cola competem de maneira similar. Elas apresentam produtos equivalentes e estratégias competitivas muito próximas. Ações pontuais podem variar a participação ou resultados das empresas. Mas, dificilmente essas ações mudam significativamente a relação de competição entre esses dois gigantes.

2 Concorrente com desempenho assimétrico.

A linha vermelha mostra um concorrente que apresenta uma proposta de valor e estratégia competitiva muito diferente das empresas representadas pela linha preta e azul. Observe que essa empresa inicia numa condição de inferioridade, mas apresenta uma taxa de evolução muito mais acelerada. Quando a linha vermelha supera significativamente a linha preta, temos uma condição de ameaça à sobrevivência dos negócios tradicionais.

 

Exemplo1: O caso mais conhecido é o da Kodak que perdeu a capacidade competitiva ao manter sua base de produto nas máquinas fotográficas com filme, ao invés de migrar para máquinas digitais. A vantagem que os concorrentes que se anteciparam na produção e comercialização de máquinas digitais foi tão grande que destruiu a posição de liderança da Kodak em pouco tempo.

 

Exemplo2. Uma empresa antecipar as mudanças de mercado não garante seu sucesso. A empresa precisa conseguir alterar ou ajustar todo o seu modelo de negócio para a nova dinâmica competitiva.  A IBM foi a precursora da computação pessoal com o seu IBM PC. Porém, não conseguiu criar um modelo de negócio no qual a microcomputação pudesse prosperar em conjunto com o negócio dos mainframes da empresa. O resultado foi que o padrão tecnológico baseado no PC IBM foi um sucesso de mercado, mas a IBM aproveitou esse resultado de maneira periférica.

 

A velocidade com que a empresa adota a transformação do seu modelo de negócio é mais crítica do que ser o primeiro a enxergar a mudança. É possível ser um seguidor muito rápido e sobreviver, mas um precursor lento correrá sério risco de desaparecer.

 

A Google é uma empresa sinônimo de inovação e liderança tecnológica. Porém, esse reconhecimento não impediu dela falhar em criar um modelo de negócio que levasse ao sucesso algumas de suas inovações. Por exemplo, o Google Glass era um produto que prometia revolucionar a interface que as pessoas iriam interagir com mundos real e virtual. O produto simplesmente não conseguiu ser adotado como solução, nem gerar um modelo de negócio que justificasse a sua adoção pelo mercado. Isso não foi um problema significativo porque nenhuma outra empresa teve grande sucesso usando essa tecnologia fora de nichos e aplicações específicas.

 

É possível aumentar a inclinação da reta de geração de desempenho e valor (em outras palavras, passar da linha preta para a linha vermelha no gráfico anterior). Alguns pontos são comuns nas empresas que se destacam e são apontados pela maioria dos estudiosos da inovação:

a) Crie um ambiente acolhedor para novas ideias que questionem o modelo de negócio atual. Isso significa parar de matar o mensageiro e aceitar que ideias diferentes podem ter valor.

b) Seja tolerante com o processo de experimentação e aprendizado. Isso implica em aceitar que muitas das iniciativas ou experimentos feitos vão resultar em falhas. A única falha verdadeira é não tentar e perder a oportunidade de aprender.

c) Desenvolva a capacidade de testar as novas propostas de forma rápida e barata. A velocidade com que você ganhar conhecimento e experiência é crítica para o processo de inovação.

Algumas empresas têm um ambiente tão rígido e controlado internamente que optam por desenvolver suas novas ideias fora dos muros da organização. Outra opção, quando a resistência interna é grande, é trabalhar em parceria com empresas ou startups, “terceirizando” a busca e desenvolvimento de oportunidades de grande impacto na inovação.

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